junho 24, 2004

Referendo

Polis (tica)!

Estamos então com um referendo na calha, dedicado este a legitimar por via directa a ratificação portuguesa da Constituição Europeia.

Melhor decisão parece-me não haver, deixemos os Portugueses pronunciarem-se sobre a sua vontade, ou não, de integrar o conceito de Europa vertido na referida Lei Fundamental.

Parece-me, no entanto, que a mesma questão já deveria ter sido colocada aos portugueses aquando da ratificação do Tratado de Maastricht (07-02-1992), altura em que foram introduzidas algumas das mais significativas alterações ao conceito político-ideológico da construção Europeia.

Nessa altura a consciência europeia dos Portugueses e dos Europeus em geral era tão ínfima, hoje fica-se pelo ínfima, que os políticos portugueses levaram avante a ratificação do Tratado, a despeito da sua relevância, passando de fininho ao lado do, já então, necessário referendo.

Desta feita referendam mas, este referendo não tem nem a mesma importância, nem a mesma eficácia que poderia ter tido referendar Maastricht.

Não obstante tudo isto, referenda-se a Constituição Europeia. Tarda mas não falha, a bem da expressão da nossa soberana vontade.

A verdade é que se tivessemos referendado Maastricht, teríamos podido perguntar aos Portugueses, como fizeram aos seus nacionais outros Estados-membros, se queríamos a moeda única, a cidadania Europeia e acima de tudo uma PESC que se veio a provar (mas já então se adivinhava) mal albardada e, pois, fadada a um destino medíocre.

O referendo que hoje se nos planteia poucas hipóteses dá a Portugal de dizer não à Europa, se fosse essa a sua vontade maioritária, é que a integração é tal já, que não permanecer na UE constituiria uma das mais ciclópicas tarefas da existência Lusa.

O dizer não é hoje uma mera probabilidade matemática para Portugal (qual matemática futebolística), em 1992 poderia não ter sido exactamente assim.

Publicado por ripri em junho 24, 2004 03:39 PM
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