junho 30, 2004

A situação política IV! Sai uma nova Constituição à medida dos intelectuais e políticos de pacotilha!

Polis (tica)!

Eis que me fartei.

A saber, ainda não me consegui decidir, lamento, se vejo com melhores olhos a marcação de eleições antecipadas ou a nomeação de novo Primeiro-Ministro (PM) pelo Presidente da República (PR).

Mas há algo que me deixa perplexo, que é o desrespeito pela CRP e pelo PR verificado em muitos dos que se assumem como intelectuais e políticos neste pais.

A Constituição Portuguesa (CRP) é CLARA! Ao PR cabe a decisão de nomear novo PM e, por via disso, novo Governo ou dissolver a Assembleia da República (AR), marcando novas eleições.

Não resulta do exposto que o PR esteja, possa estar, ou ser levado a estar, obrigado a optar por qualquer uma das soluções; O PR é nesta matéria LIVRE e SOBERANO!

Aos que se ultrajam com a nomeação de um Governo pelo PR respondo simplesmente, que não é líquido que o PR o faça, mas é possível. Perante tal situação e com o alarido que se gera em alguns sectores pró-eleições resta-me dar algumas opções:

Aceitem que a CRP é a Lei fundamental do pais e que o seu texto, tantas vezes revisto pelos deputados, (recordo que a revisão constitucional requer maioria duplamente qualificada, i. é, uma vastíssima maioria dos deputados da AR) está correcto, é equilibrado e concede na matéria em apreço uma margem de manobra aceitável ao PR. Conformem-se com os poderes do PR e aceitem a sua decisão.

Assumam, antes de criticar a decisão do PR, ainda não tomada, a coragem de dizer que a CRP, revista há tão pouco tempo e com acordo da vasta maioria dos deputados (PSD, PS e CDS) não presta, não serve. Então façam um mea culpa e digam aos Portugueses que APOIARAM uma revisão que deixou as situações como a presente reguladas da forma como estão e que tal não serve.

Ou façam saber ao PR a vossa vontade de eleições antecipadas mas tenham a ombridade de como pessoas civilizadas usarem argumentos que não sejam de pacotilha. Façam saber que querem eleições por todas as razões do mundo excepto que acham que se passa um golpe palaciano de tomada do poder.

Este golpe não existe porque a CRP e, por via dela, o PR impedem em absoluto a sua existência, salvo se, o próprio PR estiver à cabeça da cabala e nesse caso o chefe da pandilha é o PR (PR de todos os portugueses mas socialista sem cartão).

À esquerda pede-se melhores argumentos, mais capazes e menos populistas. É que as soluções constitucionalmente previstas não são um bicho papão e o PR não é o homem do saco. Nem nós portugueses somos as criancinhas.

Publicado por ripri em junho 30, 2004 04:34 PM
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