julho 22, 2004

E já lá vão 4 (pelo menos)!

Polis (tica)!

Eu não queria ter de, eu temia, eu previ e ei-los!

Eu não queria ter de dizer o que se segue sobre o Primeiro-Ministro (PM) Pedro Santana Lopes (PSL), mas tem de ser por coerência e porque a razão ainda deve prevalecer.

Eu temia que assim fosse, que o seu comportamento na posição de PM se viesse a mostrar uma cópia da sua normal intervenção política. Temia, acima de tudo, que não fosse capaz – como o foi Paulo Portas, honra lhe seja feita – de assumir uma postura de Estado, contida e eficaz.

Eu previ (vv. A situação política! Pedro Santana Lopes – 29/06/2004; A escolha do Presidente I – 12/07/2004) que PSL não teria a desejada postura de Estado, para mal do pais e para seu mal.

E ei-los; os erros!

1 - A indicação dos Ministros das Finanças e dos Negócios Estrangeiros antes do restante executivo, embora nada lhe seja oponível em termos constitucionais/legais, foi um erro de oportunidade e um dar a mão à palmatória ao Presidente da República (PR).

Avisado que foi pelo PR da sua vigilância, que todos sabemos poder apenas ser parcialmente efectiva por força da decisão tomada, do calendário eleitoral e da duração do próprio mandato, PSL foi logo a correr apresentar os dois ministros de duas das áreas sujeitas à vigilância presidencial – PSL o menino bem comportado.

2 - A ideia peregrina de descentralizar os Ministérios e/ou as Secretarias de Estado, como o da Agricultura para Santarém ou a do Turismo para Faro – que bem que nos caía esta por cá – é uma autêntica armadilha a si mesmo e à sua fiabilidade.

As ideias são populares e a descentralização do poder é sempre bem vista, mas a sua exequibilidade, para mais em tempo de vacas magras, é uma ironia de mau gosto, (a propósito veja-se http://www.jaquinzinhos.blogspot.com "o monstro das bolachas" peça bloguistica de exímia execução).

3 – As tomadas de posse. Na tomada de posse dos Ministros, Paulo Portas - exímio na estratégia de contenção - não conseguiu disfarçar o seu espanto quanto aos Assuntos do Mar, foi no mínimo risível o espanto.

A troca de Secretários de estado à boca da tomada de posse é absolutamente imperdoável sobre todos os pontos de vista. A Presidência da República e o próprio Governo, para já não falar dos Secretários de Estado atingidos, merecem enquanto órgãos de soberania maior respeito.

4 – A promessa de descida no IRS, muito embora possa ser positiva para as famílias portuguesas – dependendo da forma como for executada – e seja certamente popular é uma promessa demasiado arriscada para quem tem uma execução orçamental apertada, muito embora os efeitos de tal previsão no Orçamento de estado de 2005 só venha a produzir efeitos faseadamente.


Assim PSL não pode continuar se quer ter credibilidade, fiabilidade e ser consequente, o que é popular é genericamente efémero e factos políticos, mesmo que se tentem criar diariamente, são coisas que demoram tempo e exigem esforço a criar e cujas consequências são, as mais das vezes, difíceis de prever e/ou controlar.

Alguém de dizer ao PM que postura de Estado já não tem de ser o que era mas, continua a ser o que sempre foi.

Publicado por ripri em julho 22, 2004 04:59 PM
Comentários